MOLDAGEM

O acrílico é um termoplástico que, quando aquecido, torna-se maleável, adquirindo uma consistência semelhante à da borracha e permitindo ser moldado, adquirindo as mais variadas formas. Com o resfriamento, torna-se rígido, conservando, porém, a forma que lhe foi dada durante a moldagem.

A transição de rigidez para flexibilidade não é claramente definida, mas ocorre gradativamente. O primeiro sinal visível de amolecimento é notado à cerca de 85ºC, temperatura na qual algumas peças, já moldadas, podem mostrar uma tendência a desmoldar. À 120ºC aproximadamente, o acrílico se torna maleável. Para moldagens em geral, deverá ser aquecido à temperatura entre 150ºC a 170ºC.

O material deve ser aquecido em estufa, e quando suficientemente quente, transferido para o molde. Durante a operação de moldagem propriamente dita, o acrílico deverá estar à uma temperatura uniforme variando entre 140º a 156ºC. Se a moldagem for realizada à temperatura abaixo de 140ºC, a peça poderá sofrer ruptura, pois terá sido altamente tencionada.

Consequentemente, terá temperatura de desmoldagem mais baixa, menor resistência ao impacto e maior tendência à formação de fissuras. Com temperaturas acima de 175ºC, corre-se o risco de degradar o material e rasgá-lo durante ou imediatamente após a moldagem.

TEMPOS E TEMPERATURAS DE AQUECIMENTO

A moldagem dependerá da temperatura e da espessura do material usado, do ciclo de moldagem, temperatura e natureza dos moldes e da temperatura ambiente, mas deverá situar-se entre 150º a 175ºC, para a maioria dos casos.

Acima de 175ºC, ocorre uma ligeira degradação do material, que aumenta rapidamente com temperatura e tempo. Acima de 180ºC torna-se visível, com o aparecimento de bolhas na superfície.

O aquecimento das áreas localizadas de uma chapa acrílica (exceto para dobramento local), não é aconselhável, e o objetivo deverá ser sempre o de produzir uma temperatura uniforme em toda a extensão da chapa. Para isso, o desempenho de estufa deverá ser verificado, medindo-se a verdadeira temperatura da chapa em vários pontos, por meio de termopares.

O tempo de aquecimento dependerá da espessura da chapa e do tipo de estufa usada. A fórmula abaixo poderá ser empregada para dar uma estimativa de tempo de aquecimento requerido. T=2,1xE

Onde: T= tempo em minutos / E= espessura em milímetros / 2,1= fator constante

Um modo prático de estimar se uma chapa está pronta para moldagem é quando, dobrada sobre si mesma, retorna imediatamente, sem qualquer sinal de rigidez.

Não há vantagem alguma no aquecimento por períodos mais longos do que o necessário, e o método de deixar o material de "molho" na estufa não é aconselhável.

CONTRAÇÃO

Quando aquecido à temperatura de moldagem, o acrílico se contrai permanentemente em cerca de 2%, tanto no comprimento, como na largura, com um aumento correspondente na espessura.

Em aquecimento posteriores, porém, não ocorrerão outras mudanças permanentes em dimensões. Esse fator de encolhimento, que se aplica às chapas, deve ser levado em conta ao se cortar o material para moldagem.

ESFRIAMENTO

Durante a moldagem, as peças devem ser mantidas nos moldes até que esfriem, a cerca de 60ºC ou menos. Deve-se evitar o esfriamento forçado. Diferenças nos índices de esfriamento entre as duas superfícies de uma peça moldada podem trazer tensões indesejáveis, suficientes para causar abaulamento.

Variações nos índices de esfriamento em diferentes pontos de uma mesma peça podem resultar em distorção ótica. As moldagens, portanto, deverão ser esfriadas numa razão uniforme e dividido ao fato de acrílico ser mau condutor de calor o esfriamento deverá ser necessariamente lento. Uma melhor eficiência nas operações de moldagem é conseguida trabalhando-se com vários moldes ao mesmo tempo.

PRESSÃO DE MOLDAGEM

A moldagem do acrílico envolve pressões relativamente baixas (exceto quando se utiliza moldes macho e fêmea).

Uma estimativa da pressão necessária para moldagens por sopro livre nos indica pressões menores do que 3Kgf/cm² (psi), e quanto maior for o raio, tanto menor será a pressão. Para se obter formatos mais complicados, poderão ser necessárias pressões de até 7Kgf/cm² (psi).

A força requerida para a moldagem do acrílico por pressão, sem a ajuda do vácuo ou pressão de ar, depende da espessura do material, do perímetro da abertura do molde e da profundidade da peça.

Muitos outros fatores, tais como a temperatura de material, a natureza da ferramenta, a definição requerida etc, influenciarão a pressão total requerida.

TEMPOS E VELOCIDADES DE MOLDAGEM

Dependem da espessura do material, da temperatura ambiente e da ferramenta. Para todas as moldagens, exceto as mais complicadas, não é necessário fornecer aquecimento complementar à área de moldagem, a fim de retardar o índice de esfriamento, sendo que a maioria das moldagens pode ser completada num intervalo de 30 segundos. Se forem necessários tempos maiores, deve-se fazer arranjos especiais para reduzir a proporção de esfriamento, como por exemplo, mantendo uma temperatura ambiente alta.

Ao se empregar os métodos de sopro ou vácuo para a moldagem do acrílico, o diferencial de pressão estabelecido deve-se dar rapidamente, para garantir o término da moldagem, antes que o material tenha esfriado para uma temperatura demasiada baixa; situação esta muito freqüente na prática.

Para a prensagem, os limites de velocidade da ferramenta estão entre 0,3 a 6m/min., sendo mais utilizados, na prática, os limites de 1 a 3,5m/min..

FERRAMENTAL

As ferramentas podem ser feitas de materiais como metais, madeira, laminados fenólicos, resina "epoxy", gesso etc., que são estáveis e suficientemente rígidos para resistir à deformação nas pressões e temperaturas de moldagem. A escolha do material dependerá de muitos fatores, mas especialmente da vida esperada da ferramenta.

Para produção em grande escala, é necessário ferramental metálico, porém, madeira ou outro material isolante, coberto com um revestimento fino de metal, como aço, latão ou alumínio torneado, podem combinar as vantagens tanto da madeira como do metal. Quando se usar madeira, é importante que a mesma seja bem seca e de granulação fina, para evitar que a textura fibrosa apareça na superfície do molde. É vantajoso cobrir os moldes de madeira com um tecido macio ou feltro, a fim de disfarçar granulações e linhas de junção.

Esse processo, inclusive, aumenta a vida do molde, impedindo que a madeira se torne superaquecida.

MOLDES

Os limites dimensionais de uma peça acrílica moldada não são rigorosamente precisos, e quando limites exatos forem requeridos, eles só poderão ser alcançados através de usinagem posterior.

Quando as peças são retiradas dos moldes, ainda quentes, há um encolhimento considerável após o esfriamento. Portanto, os moldes deverão ser feitos ligeiramente maiores, com até 5 a 6mm além do tamanho previsto para as peças. A folga entre as superfícies da ferramenta deverá levar em conta a tolerância de espessura da chapa.

EQUIPAMENTOS PARA AQUECIMENTO


As estufas devem ser providas de sistemas para um rigoroso controle de temperatura na faixa de 150º a 175ºC, com variações de, no máximo mais ou menos 5ºC.

O aquecimento deverá ser uniforme dentro da estufa, sendo importante que se conheçam bem as características desses equipamentos, para que se faça a escolha do tipo mais apropriado para o aquecimento de chapas acrílicas.

ESTUFAS DE CIRCULAÇÃO DE AR


São consideradas como o tipo mais adequado, tanto para os processos de moldagem, como de recozimento. Nessas estufas, a fonte de calor está separada e isolada do espaço útil interno e as chapas são aquecidas a uma temperatura específica, através de um ventilador potente que força a circulação de ar. O aquecimento pode ser elétrico ou a gás, mas no último caso deve-se empregar um trocador de calor para garantir que os produtos da combustão não entrem em contato com o acrílico.

Tratando-se de elementos elétricos, estes podem ser colocados diretamente na corrente de ar. O controle de temperatura de tais estufas é bom, conseguindo-se tolerância de até mais ou menos 2ºC na temperatura interna. Essas estufas permitem ajuste para um controle sensível de temperaturas abaixo de 60ºC, o que as tornam ideais para as operações de recozimento.

ESTUFAS DE CONVECÇÃO

São as mais simples de se construir e consistem em uma câmara isolada contendo uma fonte de calor igual as resistências elétricas comuns. As resistências devem ser cobertas, para evitar radiação direta sobre a chapa, podendo ajustar-se um ventilador para melhorar a circulação do ar.

O acrílico deve ser colocado sobre uma chapa de fibra ou madeira dura, coberta com um papel pardo, e virado algumas vezes para assegurar um aquecimento uniforme nas duas faces. O mérito principal de tais estufas está em sua simplicidade, baixo custo, e possibilidade de construção caseira.

Todavia, são relativamente ineficientes, uma vez que estão sujeitas a grandes variações de temperatura.

PRENSAS

As pressões requeridas para a moldagem do acrílico são relativamente muito baixas (até 2,8 Kgf/cm²) ou (psi). Muitas operações de moldagem podem ser feitas simplesmente com pistões pneumáticos de curso descendente, ligados a uma linha de ar de 7 Kgf/cm² (psi). Cilindros hidráulicos, operados à água ou óleo, também podem ser usados. Vários tipos de prensas, especialmente a de balancim ou de volante, podem ser adaptadas para moldagens relativamente pequenas.

A moldagem por choque requer pressões mais altas do que as usadas em moldagens normais do acrílico. São necessárias pressões entre 160 a 650 Kgf/cm² (1 a 4 tonf/pol²), e para pequenas peças também se pode usar uma prensa normal, como a de alavanca adaptada, porém, é essencial um dispositivo de trava para manter a máxima pressão durante o esfriamento.

Com peças de grande superfície, entretanto, são necessárias prensas hidráulicas de ação rápida.

DOBRAGEM POR AQUECIMENTO LOCALIZADO

Para se aquecer uma faixa estreita de material para um dobramento simples, pede-se um aquecedor de filamento. É essencial que o elemento aquecedor produza calor uniforme ao longo do seu compartimento. Vários desses aquecedores podem ser usados, lado a lado, permitindo executar, simultaneamente, diversas dobras. A energia necessária é da ordem de 850W/m.

A temperatura máxima para que não ocorram bolhas e defeitos é de 145ºC. É importante limitar o calor à menor área possível e aquecer uniformemente toda a linha de dobragem. Esta deve ser feita pelo lado oposto ao aquecido. Chapas com espessura superior a 2,5 mm devem ser aquecidas dos dois lados, para prevenir bolhas.

MOLDAGEM EM CURVATURA SIMPLES COM AQUECIMENTO

Consiste em um simples arqueamento ou curvatura da chapa num plano, e na prática, geralmente pouco ou nenhum estiramento. Embora esses formatos sejam aparentemente muito fáceis de produzir, há muitas dificuldades práticas a serem superadas, para se obter os melhores resultados.

MOLDAGEM EM CURVATURA SIMPLES SEM AQUECIMENTO

Consiste em um simples arqueamento ou curvatura da chapa, necessitando observar apenas o raio mínimo necessário para a curvatura da mesma. Na prática, esse raio é determinado em função da espessura, multiplicando-se a espessura da chapa por 60 (R mínimo = E x 60).

"CRAZING" NA CHAPA DE ACRÍLICO

São fissuras que aparecem quando os esforços de tensão ultrapassam os valores críticos. O "crazing" é um fenômeno característico dos plásticos, aparecendo com maior freqüência no acrílico e no poliestireno.

Os agentes químicos também podem causar estas minúsculas rachaduras, que, embora superficiais, podem aumentar através da chapa, diminuindo sua resistência mecânica.

O fenômeno é progressivo através do tempo, ocorrendo mesmo sob baixas tensões, mas apenas após longos períodos de sujeição a cargas.

O "Crazing" é atribuído tanto à despolimeração, quanto a liberação de monômero livre residual que acompanha o polímero.

Certos tipos de adesivos e tintas contém solventes que podem provocar o "Crazing" no acrílico após algum tempo de contato. Por isso, quando se testam adesivos, tintas e solventes é preciso lembrar também do comportamento do acrílico perante essas substâncias químicas.


NOTA

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